quinta-feira, 4 de agosto de 2022

A Próxima Atração

"Não há que ser forte. Há que ser flexível."
Provérbio chinês.

Lago Oeste visto do alto do pagode Leifeng.

Pagode é uma daquelas palavras em português que talvez você nem tenha parado pra pensar que possa ter algum outro significado que não o de estilo musical. Aqui neste texto usarei num contexto completamente diferente. Pagode também é um tipo de construção típica na China e outros países da Ásia, e quase todos os andares têm uma arquitetura similar: um salão grande ao centro, e uma varanda estreita que circunda todo o andar, podendo ter uma visão de 360 graus do entorno. A maioria dos que conheci eram ou tinham sido templos.

Passeio de barco no lago Oeste; pagode Leifeng ao fundo.

Quando estive na cidade de Hangzhou em maio de 2019, fiquei no Albergue da Juventude Westlake Manjuelong Branch. De lá eu sabia que os ônibus 4 e 31 paravam em frente ao Lago Oeste (Westlake Pleasure Lake), o principal lugar a se conhecer, e onde há um pagode muito importante. Mas acabei descendo dois pontos depois porque uma moça me deu informação errada, coisa que aconteceu com bastante frequência nesse país que tem a língua falada e escrita muito diferente da minha. Achei muita gente disposta a ajudar, mas muitas vezes alguma falha na nossa comunicação acontecia e eu acabava indo pro lugar errado. Mas eu acabei perdoando a mulher pela caminhada extra que fiz, porque ela realmente se mexeu – olhava no celular, perguntava pras pessoas, caminhou comigo debaixo da chuva pra me mostrar onde era a parada de ônibus, eu fiquei realmente impressionado com a disponibilidade dela em querer ajudar. Como eu estava ali a passeio mesmo, pensei: “tudo bem ter vindo pro lugar ‘errado’, igualmente estou conhecendo um pedaço da China”. Nisso, acabei achando uma pracinha, com dois túmulos de não sei quem, e ainda acabei conhecendo um trecho da margem do lago. As foto abaixos são do pagode Leinfeng - uma tirada de baixo; outra tirada do seu último piso.

 

40CNY era o preço por pessoa pra entrar no pagode Leifeng (Leifeng pagoda), o principal. Normalmente, na China, quem paga meia são estudantes e aí isso se aplica a qualquer pessoa com menos de 18 anos. Quase sempre eles me falavam que essa regra não servia pra mim, brasileiro, mesmo apresentando a minha carteira de estudante universitário, então poucas vezes eu paguei meia. Com a terceira idade lá também o tratamento é diferenciado: os descontos começam a se aplicar quando a pessoa faz 70 anos.

Um dos tipos de arte que decoram o interior do pagode.

O pagode Leifeng fica no alto de um pequeno monte, mas tem escada rolante pra você se cansar menos. No primeiro piso a gente vê algumas ruínas, indicando que aquele templo já foi construído e reconstruído muitas vezes. A última reforma foi em 2001, quando a Unesco considerou o pagode patrimônio cultural da humanidade, junto com o lago. Comecei o passeio de cima pra baixo, subindo de elevador até o final e descendo os cinco pisos pelas escadas. Caminhando pelas sacadas, podemos ter uma ótima visão do lago e da natureza em sua volta. A cada piso que eu descia, me entretia com uma arte diferente nas paredes. A que conta a lenda da cobra branca é a mais bonita. Não me lembro direito, mas é do tipo de história maluca sobre alguém que vem não sei de onde, se apaixona por não sei quem, aí tem um feitiço e a pessoa vira cobra, essas coisas comuns de se acontecer em novelas do Aguinaldo Silva... Mas parece que ali um monte de gente acredita nisso, porque eu vi representações artísticas dessa história em mais algum lugar além desse templo. Estima-se que haja mais de 600 lendas que envolvem o lago.




Lago Oeste

Ao lado do templo, uma área de alimentação com comida bem local, então, se você for meio fresco, talvez não gostará. Eu comi três bolinhos de carne de porco por 10CNY, e o mesmo preço custou uma comida que era feita assim: estalavam um ovo na chapa, jogavam uma massa por cima, duas folhas de alface e um pouco de catchup.

Quando pegar uma nota de 1CNY, repare que é o Lago Oeste de Hangzhou que está lá representado. Aproveitando que estou soltando algumas curiosidades, Hangzhou foi capital da China entre os séculos XII e XIII. Marco Polo até chegou a dizer que ela era a maior cidade do mundo. O bom de se passear pelo lago é que seus calçadões não são apenas ao redor, mas também no meio do lago, já que três deles o atravessam no meio e são arborizados e sempre cheio de pessoas passeando e se divertindo.

Tem um carrinho estilo carrinho de golfe que circula por todo o lago e te permite dar uma volta completa, parando cinco vezes. Quando subi, o motorista me perguntou onde eu queria ir. Por cada trecho se pagava 20CNY. Logo, a volta completa custava 100CNY. Deixei pra pegá-lo no trecho maior, de 2,7km. Desci e paguei mais 55CNY por vinte minutos de passeio de barco até a ilha do lago que tem um formato interessante. Pessoas com mais de 60 anos pagavam 45CNY. É a Ilha Lesser Yingzhou - várias pontes estreitas, interligando pequenos coretos ou mirantes e, em todo lugar que se parava, a visão era magnífica.

Mapa da Ilha Lesser Yingzhou.

No meio do lago e bem visíveis quando se está na ilha, estão três pilares, onde se colocam velas em seu interior e as luzes dessas velas são refletidas no lago. À noite, isso dá um efeito muito lindo, como se houvesse três reflexos extras da lua no lago. Eu não cheguei a ver isso, pois passeei de dia, mas achei que devia ser lindo mesmo, só de ter imaginado. Fiquei nessa ilha por 1h30min, peguei o barco de volta e terminei a volta ao lago a pé mesmo, parando pra lanchar num Starbucks, que tem muito na China. Comi um sanduíche e continuei circulando esse lago, pra assistir ao show noturno gratuito de música, luz e água, que acontece no lago. Foi uma música chinesa e depois “I will Always love you”, da Whitney. E a última refeição foi uma batata apimentada (eu sempre esquecia de perguntar se a comida era "spicy") por 20CNY.

Uma das velas de pedra da ilha.

Esse foi um show rápido, gratuito, que acontece duas vezes na noite. Há um outro, chamado Enduring Memories of Hangzhou – Impression West Lake, super famoso e custava 360CNY de um lugar normal ou 400CNY na área vip. Peguei o normal e não me pareceu que a área vip tinha uma visão tão mais privilegiada que a minha. O show dura quase uma hora e é mencionado em todos os folhetos turísticos. São muitos bailarinos, que dançam sobre a água do Lago Oeste a história de um romance de mais de mil anos atrás, muito bem ensaiados e sincronizados. Como choveu, deram capa de chuva pra plateia. Pra voltar, os táxis não queriam parar. Depois eu soube que muitos taxistas evitam parar para estrangeiros porque costuma acontecer de não conseguirem se comunicar direito com eles.

Ilha Lesser Yingzhou.

A praça de alimentação do Impression West Lake tem tanto a comida ocidentalizada quanto a orientalizada. No KFC, por R$28,00 come-se um sanduíche e batata amassada. Eu optei pela sopa de cogumelo chinesa, tofu e um pedaço de pato pelo mesmo preço, porque prefiro também conhecer um povo pela sua comida.

Buda da Rua Heinfeg.

No dia seguinte, peguei o ônibus 31 até a Hefang street, um calçadão muito gostoso de se andar, com lojinhas de todos os tipos e que fica bem perto do West Lake.. Comprei batata doce ressecada por 10CNY, além de artesanato, chás, frutas secas. Depois tomei um táxi (21CNY) até um pequeno porto onde se pega um barco que navega por um canal, que também é patrimônio da humanidade e vai até Pequim. Esperei 45 minutos pra pegar barco que, em duas paradas, deixa a gente na parte principal, onde estão o museu do canal, o museu dos guarda chuvas e o museu dos leques, que não conheci. Fiquei só meia hora nesse lugar, tomando informações no Centro de informação turística, aproveitando que uma mulher falava bem inglês e estava bem simpática. O barco custa 3CNY e só aceita moeda.  O trajeto foi de meia hora e o canal é muito legal. Talvez até valha a pena ir até o final, conhecer outras paradas, caminhar entre uma e outra...

Ponte sobre o canal que vai de Hangzhou a Pequim.

Talvez você nunca tenha ouvido falar de Hangzhou e deva estar imaginando que eu estava numa cidadezinha pacata chinesa. Só que a tranquilidade ao redor do lago é relativa ao número de turistas que estarão ali. A China é o país mais populoso do mundo, então o interior deles é uma cidade com milhões de habitantes e tecnologicamente muito bem equipada. Hangzhou tem 20 milhões de habitantes, contando a região metropolitana.

 

Preços de maio de 2019:

Para saber quanto em real eu paguei, considere 60% do valor aqui escrito.

Templo budista Lingyin – 50CNY – não visitei.

Passagem de trem bala de Shanghai a Hangzhou – 73,5CNY – 1 hora de viagem, 184km. Precisa mostrar o passaporte no embarque e no desembarque, mesmo sem sair do país.

Dormi três noites wm Hangzhou, mas, pela distância, dá até pra fazer um bate volta desde Shanghai, mas garanto que você ficará com vontade de voltar.

Passagem de trem bala de Hangzhoudong a Suzhou – 111,5CNY.

Achei difícil encontrar casas de câmbio na China. Troquei dólar por yuan no Bank of China e fiz alguns saques do mesmo banco e num outro. Mas em muitos outros bancos meu cartão era recusado no caixa eletrônico.

Lembre-se sempre de que Google, Facebook, Whatsapp e tudo quanto é aplicativo ou site que nós usamos são bloqueados na China, então você precisa instalar um VPN no seu celular. No youtube tem várias explicações do que é VPN.

Não conheci o Museu da Seda, mas como Hangzhou está na rota da seda, acho que vale a pena visita-lo. Aí é você que me contará do seu passeio.


terça-feira, 5 de julho de 2022

Negócio da China

"Uma longa viagem começa por um passo."

Provérbio chinês.

Carro pra uma pessoa. Só uma entre as várias surpresas que
se pode encontrar na China.

Sabe aqueles dias em que a gente acorda meio sem saber o que fazer? Pois quando a gente está viajando há muito tempo, esses dias também existem. Sabe aqueles em que você não está a fim de fazer nada? Quando a gente viaja esses dias também existem. E já teve dia de eu não fazer nada mesmo, só ficar em casa ou no hotel, praticamente à toa. Neste relato de como foi minha viagem na primeira cidade chinesa que conheci, falarei sobre esses aspectos não excitantes de quando se faz uma viagem, mostrando de nem tudo ocorre exatamente como a gente planeja e que pequenas frustrações fazem parte de qualquer viagem, afinal, isso tudo é coisa inerente à vida. Nem tudo ocorre do jeito que a gente planeja. Mas é claro que nada disso me impediu de gostar de Shanghai.

Jeito chinês de por a roupa pra secar.

O primeiro dia em Shanghai não foi exatamente um dia preguiçoso. Na verdade, foi de uma sensação de não saber onde ir primeiro, ainda mais num lugar onde eu não falo a língua e a população local também não fala muito inglês. Andei um pouco sem rumo por uma pracinha, meio que acompanhando pelo mapa, até sair numa estação de ônibus, onde tentei me informar sobre os cartões de metrô. O passe de 24 horas custava 18 yuan chineses (R$11,00), e o de três dias, 45CNY (R$27,00), preços de maio de 2019. Comprei este, mas ainda não comecei a rodar porque queria entender melhor o que fazer na cidade, antes de sair andando sem rumo gastando meu passe. Então fui andar sem rumo gastando só a sola do sapato e parei pra um almoço. Já fui logo pedindo uma sopa de rã de 22CNY (R$14,00). Muitos pratos lá vêm como se fosse sopa com um macarrão que acredito ser lámen. Na primeira colherada na boca, eu gemi meio alto sem querer, porque eu não esperava que o prato fosse tão apimentado. Na hora, a atendente percebeu e, gentilmente, me perguntou se ela podia trocar. Ela levou e trouxe o mesmo conteúdo num caldo menos apimentado, o que o tornou mais comestível pra um brasileiro com o paladar fresco ainda não treinado praquilo. Fiquei imaginando se o costume asiático de usar tanta pimenta seja algo relacionado à digestão... Talvez acreditem ser mais saudável? Não sei... Outro costume que notei é que os garçons nos servem um copo de água morna antes das refeições, mesmo nos dias quentes.

Refeição típica - sopa de rã.

Era maio de 2019 e fazia frio. Fiz muita hora no restaurante e, olhando o mapa, vi que eu estava meio que perto de um Buda. Fui até lá andando, mas dei de cara na porta, pois já eram 17h10 e ele tinha fechado às 16h30. Voltei pro hotel andando pela beira de um rio, que tinha uma orla arrumadinha. À noite, descobri um lugar pra se dançar tango e fui até lá, mas ele tinha virado loja. Perguntei às pessoas lá de perto, conferi o endereço, mas não teve jeito, foi mais uma pequena frustração. Na volta, passei na frente de um tal Beer Lady Bar. Entrei e era tão legal. Eram duas paredes só de refrigeradores com porta de vidro e a maior diversidade de cerveja que eu já tinha visto. Você mesmo se servia, igual no supermercado. Peguei uma cerveja de gengibre e outra de framboesa, e, na hora de pagar, foi tão complicado. Queriam que eu pagasse por aplicativo, com um QR code, mas nem no wifi de lá eu consegui conectar. Ofereci o cartão de crédito então, mas também não deu – o caixa não aceitou e aí teve de ser com dinheiro mesmo. Ainda bem que eu já tinha dinheiro chinês. Paguei e fui pra cama logo.

Opções de cerveja do Bar Lady Beer.

Ao longo dos dias é que fui percebendo que os chineses conseguem fazer muita coisa pelo celular. Na hora de pagar conta, por exemplo, eles exibem um QR code na tela do aparelho pro atendente, este escaneia o código e pronto – a conta está paga. Até na hora de passar na catraca do ônibus ou metrô dá pra usar o celular. Em compensação, nós, estrangeiros, sofremos com nosso aparelho. Pra que meu Whatsapp, Instagram e tudo mais, tudo mesmo, funcionasse lá, tive de baixar um VPN. Do contrário, eu não conseguiria boa comunicação com o mundo ocidental. VPN significa Rede Virtual Privada e é capaz de mascarar o IP do aparelho e a localização. Como na China todas as nossas redes sociais e até o Google são bloqueados, tendo um VPN eu conseguia navegar sem deixar rastros.

Até o início de 2019, este era o maior Starbucks do mundo.

No dia seguinte, eu estava procurando os Correios de lá, então perguntei a uma mulher na rua onde era o post office. Ela foi super gentil de me levar até o local, que era pertinho. Me deixou numa delegacia de polícia e aí eu entendi: ela deve ter entendido police office. Pior é que o caminho era contrário aos Correios, então ainda tive de andar a mais. Continuei procurando e, enfim, cheguei aos Correios, mas porque, desta vez, eu perguntei pra pessoa certa – era um chinês que falava inglês super bem, me levou até lá e ainda foi meu tradutor. Contei pra ele que minha ideia era esvaziar a mala, despachando para o Brasil algumas tralhas coisas que eu não precisaria mais, pra andar com uma mala mais leve. O funcionário explicou que, pro primeiro quilo enviado, a tarifa era de R$80,00; pros quilos adicionais, R$12,00. Eles fornecem a caixa, que já está incluída nesse valor. Pensei na proposta e deixei pra fazer isso no dia seguinte. Saindo, meu novo amigo me acompanhou até a estação de metrô, me contando várias coisas de Shanghai e dando recomendações. Passamos pelo maior Starbucks do mundo, segundo ele. Na verdade, até então, aquela era mesmo a maior unidade mundial, mas, em novembro de 2019, a franquia de Chicago ficou com o título. Até eu que não sou fã de café já achei o local o máximo. Me despedi dele e fiquei por ali mesmo. Acho que aquela devia ser a Starbucks mais cara do mundo também, porque tinha garrafa ali sendo vendida por mais de R$200,00.

  


Por dentro do Starbucks Shanghai.

Caminhei pela rua do Starbucks (Avenida Nanjing) até chegar ao Museu Shanghai, onde fiquei por duas horas, mas o mais legal é o terraço, no quinto andar. Não muito alto, mas tem uma vista linda da redondeza. Parei um pouco também na People’s Square, ao lado, andei mais um pouco, comi uma fatia de pizza por 38CNY (R$23,00). Continuei caminhando até um calçadão rodeado por lojas e um carrinho (estilo trenzinho da alegria) que atravessava o calçadão por 5CNY (R$3,00). Subi nele e desci perto da beira do rio (outro rio, o principal, Rio Huangpu). E por ali andei até me cansar da vista (não cansei, na verdade). Na hora de voltar pra casa, chamei um táxi, e o taxista não queria usar o taxímetro, mas negociar a corrida por... 200 dó-la-res. E isso aconteceu com vários taxistas. Mas aí teve um que aceitou ligar o taxímetro. A corrida começou e aquele taxímetro estava rodando muito estranho, muito rápido pro meu gosto. Desconfiado, pedi pra ele encerrar a corrida e quis entregar o que o taxímetro marcava. Ele tentou me acalmar, dizendo no tradutor: “Façamos um trato – você me dá 100 dólares e ficamos ok”. Fiquei puto com muita raiva e acabei saindo do táxi sem pagar e batendo a porta.


Tentei um outro táxi. Tudo parecia muito bem, até que ele parou num lugar que não era onde eu pedi. Falei isso pra ele, mas aí eu percebi que eu realmente tinha pedido pra ele me deixar ali, pois era o endereço marcado no cartão do hotel que eu dei pra ele. Como o hotel tinha duas unidades na cidade, o recepcionista tinha me dado um cartão da unidade que não era da que eu estava hospedado. Conseguimos chegar ao hotel certo e mais uma noite se encerrava de maneira frustrada na China. Pelo menos o gerente aceitou em me reembolsar pelo gasto a mais que a corrida custou.

Avenida Nanjing. Sempre algo interessante pra se ver.

Terceiro dia em Shanghai foi com a manhã dedicada a despachar as coisas pro Brasil, via Correios. O funcionário revistou os itens, a ver se tinha coisas proibidas. Escrevi o endereço em todos os lados da caixa, por segurança, e, quatro meses depois, o conteúdo chegou a salvo no meu endereço. À tarde foi tempo de conhecer Xintiandi, uma área muito arborizada, que, pra mim, tinha um clima meio de Palermo, em Buenos Aires. De lá fui pra outra área que, olhando pelo mapa, parecia perto. Quando eu tinha dúvidas sobre que caminho seguir, eu perguntava a alguém na rua e eles tinham muito boa vontade de ajudar, mesmo que não falássemos a língua um do outro. Mas eu achava bizarra a dependência dos chineses pros celulares, porque dificilmente me explicavam de maneira prática como “segue reto, vire à esquerda duas vezes e pergunte novamente”. Era sempre com o suporte da tela do aparelho. Tinha vezes que até me mandavam pegar o metrô pra percorrer somente uma estação, ou uma distância de menos de 2km. Pra eu conseguir usar a internet no meu celular pra me salvar de momentos assim, eu não conseguia, mesmo com a numerosa oferta de rede sem fio por todos os lugares porque, quando eu ligava o wifi, o navegador abria e me pedia um número de telefone e uma senha, e um SMS seria enviado pro meu telefone, mas eu nunca recebia o SMS, mesmo que houvesse sinal no meu aparelho. Quando conseguia conectar, eu era direcionado automaticamente a um site todo em chinês, mas os resultados das buscas que eu tentava fazer eram muito esquisitas. Aí deduzi que só funcionaria se meu telefone fosse chinês. Só no Starbucks e no hotel não tive problemas. Um viva ao VPN!

Não me lembro de onde tirei essa foto.

Enfim, acabei parando num lugar cujo nome não me lembro, mas era um lugar antigo, com vários corredores estreitos com os mais diversos tipos de loja. Ao comprar coisas nesse tipo de ambiente na China, dá sempre pra propor um preço que seja metade do valor oferecido (com certeza dá, pode ir sem medo), às vezes até um quarto do valor talvez você consiga. Ex.: o preço inicial da echarpe era 99CNY (R$60,00). Deu pra levar duas por 130CNY (R$79,00, ou seja, quase R$40,00 cada). Adorei esse bairro, pena que não sei te falar onde fica.

Adorei Shanghai.

Quarto dia: comecei pelo Museu dos Refugiados Judeus, cujo último piso é só sobre a história de Anne Frank. De lá, fui para NaoYangfang, um centro cultural muito legal onde casais e adolescentes parecem usar principalmente para fazer book fotográfico. A arquitetura do prédio é que é esquisitamente interessante.  Peguei um outro metrô até o Yuyuan Garden. Pelo jardim não andei (deixei pra conhecer outro dia), mas só pelas lojas, cujos vendedores não se conformavam de eu apenas olhar pras suas vitrines e não levar nada. Algumas vezes, depois de eu dizer “Não” e continuar andando, eles vinham atrás de mim, dizendo: “Então o que você quer comprar? Entra e olha o que tenho na minha loja”. Fiquei na dúvida se isso era a etiqueta chinesa de vendas ou desespero.

Cruzeiro pelo Rio Huangpu.
Ao fundo, Pearl Tower, World Financial Center e Shanghai Tower.

Quando passei pela prefeitura de Shanghai, achei parecida com a prefeitura de Blumenau-SC. Eu sei que os dois prédios não têm nada a ver um com o outro, mas pra mim, tinha. Dá licença. À noite, passeei de barco pelo Rio Huangpu, afinal, naquele dia eu ainda não tinha tido nenhuma das minhas frustrações, então fui lá pra me ferrar passar um perrenguinho, como estava sendo rotineiro em todo fim de noite. Era impossível ficar no teto, na área externa do barco, de tão cheio que estava. Fiquei na parte coberta, mas o excesso de luz interior refletia no vidro e estava muito ruim de ver a paisagem do rio e das orlas. A gravação turística era em chinês e em inglês, mas não achei o áudio bom. Conclusão: não valeu a pena ter pago por esse “cruzeiro".

Surpresas no calçadão do Rio Huangpu.

Andei pela beirada do rio e voltei pra casa de táxi por 19CNY (R$12,00). Minhas fotos noturnas não ficaram boas e, contraditoriamente, não vi vendedores na beira do rio, justamente num lugar tão turístico. Com aquele desespero todo que os chineses demonstraram ao vender alguma coisa lá no Yuyuan Garden, eu esperava ser abordado a cada cinco passos por alguém tentando me enfiar vender alguma bugiganga utensílio chinês.

Nessa fonte, o infinito se completa quando há movimento da água.

Quinto dia foi pra dar uma volta, até chegar novamente até Xintiandi, que gostei muito e aí, de metrô, fui até a People’s Square, porque era sábado e eu só acreditei porque eu vi (preparem-se!) os pais oferecendo os filhos em casamento. Funciona assim: eles colocam um guarda-chuvas no chão e pregam nele uma espécie de currículo que fala sobre o jovem. Os pais vão conversando entre si e aí ACHO que devem pedir pros filhos se encontrarem... Não sei direito o que acontece depois desse primeiro contato. Na hora, de tão surreal e antiquado (aos meus olhos) que eu achei, filmei, mas eu não tinha noção de que eles ficavam incomodados. Quando uma mulher cobriu o rosto é que percebi que eu estava sendo invasivo e tratando as pessoas como se elas fossem animaizinhos num zoológico. Depois desse dia, penso com mais cuidado na forma de me relacionar com as pessoas locais dos lugares que visito.

Mirante do Shanghai Museum.

Na People's Square tem um museu, mas achei que R$40,00 era caro, afinal eu estava vendo grátis pessoas negociando o casamento dos próprios filhos. Nenhum quadro pós moderno seria mais interessante do que isso. Depois de explorar a praça, fui novamente no Museu de Shanghai, aquele do primeiro dia e que era grátis, porque a visão do mirante lá era demais mesmo, e eu não tinha tido tempo de ver o último piso, nem o prédio anexo, que é a galeria de arte contemporânea, onde havia uma exposição de cerâmica.

Outra das surpresas que se encontra pelas ruas da China.

Saindo dali, procurei pelo Fake Market, algo recomendado de se visitar, mas que acabei deixando pra lá porque não funcionava mais no endereço que haviam me dado. Na porta, há pessoas que se oferecem pra te levar de carro pro local atual, só que essas pessoas são vendedores e aí fiquei sem graça de aceitar uma carona e não comprar nada na loja dele, então achei melhor nem ir. Quando você passar por uma Avenida que chama Nanjing, tome qualquer direção dela e saia andando, porque a cada quadra aparece alguma coisinha curiosa pra fotografar ou visitar. E, se passar pelo Starbucks, lembre-se que dá pra usar o wifi de graça.

Vista da cobertura do Hotel Hyatt.

À noite, voltei pra beira do Rio Huangpu porque o visual lá talvez seja o mais bonito de Shanghai, mas, desta vez, fui ao topo do Hotel Hyatt, onde há um bar e você consegue reservar um assento/mesa pagando o correspondente a R$65,00 por pessoa, convertido em consumação de uma bebida por pessoa. Detalhe: isso não te garante um bom lugar, porque, pra ter a mesa reservada exclusivamente pra você, precisa pagar mais. Eu não paguei e propus ao garçom de ficar numa mesa boa até o dono da reserva chegar e ele aceitou. Então, paguei mais barato que muita gente e aproveitei igual. Cheguei mais cedo (nem precisa ser tão cedo), me sentei perto de uma janela e fiquei simplesmente “meditando” diante daquela vista. O dono da mesa demorou e acabei ficando ali por duas horas. No terraço, na parte externa, tem uma baladinha até com uma jacuzzi no meio e qualquer pessoa pode entrar, se tiver levado roupa de banho.

Rotatória em frente à Torre Pérola.


Finalizei o passeio em Shanghai num domingo, pelo Parque das Esculturas que fica perto do Museu de História Natural. Fiz isso rápido pra aproveitar o bilhete do metrô, já que venceria ao meio-dia e meia. Peguei o trem e fui até o outro lado do Rio Huangpu. Lá é que estão os maiores prédios da cidade, como a  Torre de Pérola, que serve como transmissão de sinais de televisão e rádio, e observatório. A bola de cima tem um restaurante giratório, que leva uma hora e meia pra dar o giro completo.

  

Tudo o que eu cogitava fazer ali era muito caro (ir ao observatório do 100º andar do Financial Center, o prédio que parece um abridor de garrafa - 180CNY/R$108,00; atravessar o Bund sightseeing tunnel, um túnel subterrâneo por baixo do rio - 50CNY/R$30,00). Então andei pela beira do rio até chegar a um porto de balsa onde se pagava 2CNY (R$1,20, bem mais barato, né?) pra atravessar pro outro lado. Enquanto esperava a balsa, que sai a cada 15 minutos, um momento de felicidade: pela primeira vez em seis dias em Shanghai, eu consegui tirar uma bebida daquelas máquinas de enfiar moeda. Todo dia eu tentava uma diferente, lia o processo todo, acreditava que estava fazendo tudo certinho, mas nenhuma lata caía. Mas é que a maioria dessas máquinas também só aceitam cartão (Allipay, Ichat, essas coisas de China que a gente não conhece direito). Caminhei de novo até o Yuyuan Garden (que não tem graça nenhuma) e acabei descobrindo o Yuyuan Old Street, que é um mercadão. Na região, vê-se de tudo. De pessoas cortando o cabelo no meio da rua até vistas lindas, de onde se vê o antigo e o moderno de Shanghai num mesmo quadro:

 


De lá, parti pra estação de Hiagtchau pegar o trem de segunda classe até Hangzhou, pagando 75CNY (R$45,00) pela viagem de 50 minutos a Hangzhou.

Às margens do Rio Huangpu...
...cenário pra todo tipo de book.

PREÇOS – de maio de 2019:

Uma fatia de pizza margherita, um bolo de chocolate e dois cafés no Starbucks – 208CNY (R$125,00). Te avisei que era caro.

Sopa e fatia de pizza no Starbucks – 130CNY (R$78,00)

Caixa despachada pro Brasil – R$350,00.

Táxi do aeroporto até o History Museum Hotel de Shanghai deu 208CNY.

Deu pra perceber que o preço em real é 60% do preço em yuan? 

O câmbio do aeroporto foi bem parecido com o oficial, não achei abusivo.



segunda-feira, 6 de junho de 2022

A Grande Viagem

"Até a jornada de mil milhas começa com um pequeno passo."

Provérbio japonês.


Na margem do Rio Sumida.
Ao fundo, a cervejaria e o Skytree.

Sabe quando você ficou em quarentena, em casa, e chegou uma hora que não tinha mais o que fazer? Você já tinha faxinado todos os cantos da casa; organizado as peças do seu guarda roupa por cores, tamanhos e tendências de cada estação; já estava até fluente em um novo idioma; já tinha zerado a Netflix; e lido a Enciclopédia Barsa duas vezes? Essa sensação alguns japoneses já conheciam. Quando estive no Japão, em abril de 2019, era Golden Week, um feriadão que acontece todo ano. Mas, daquela vez, ele foi ainda maior, de 27 de abril a 6 de maio, totalizando 10 dias de folga. Além dos sábados e domingos desses dias, e os feriados que já são normalmente um atrás do outro (Dia da Constituição, Dia do Verde e Dia das Crianças) eles têm o costume de compensar feriados - quando um feriado cai num domingo, ele é transferido pra segunda-feira. Nesse meio tempo também havia um acontecimento raro, que era a ascenção do novo imperador. Numa terra onde as pessoas pensam bastante em trabalhar, esses dez dias de folga na prática não era pra todos, porque as lojas, restaurantes e diversos serviços que eu usei estavam sempre abertos, parecia estar tudo funcionando perfeitamente.


Em Tóquio, fiquei hospedado bem perto do Skytree, na região de Sumida (eu ria com esse nome) então foi a primeira região que conheci. Skytree é uma torre com um mirante a 155m de altura, entrada 2.500 yenes com opção de mais 1.700 yenes por passeio guiado de 50 min. Existe também um passeio onde falam exclusivamente sobre a construção do prédio: dura 40 min e custa 1.000 yenes. Em abril de 2019, a cotação de yen pra real ficou mais ou menos assim: 1 yen = R$0,04. O jeito que eu calculava e chegava num valor muito próximo era: cortava os dois últimos algarismos da direita e pensava em dólar. 2.500 yenes então seriam o mesmo que US$25. Em abril de 2019, US$1 era praticamente R$4,00. Logo, 2.500 yenes eram R$100,00, preço do mirante; com passeio guiado: R$168,00. Voltando: o Skytree é a torre (eu disse torre e não prédio) mais alta do mundo, então talvez até seja uma coisa que vale a pena. Mas a cidade tem outros observatórios gratuitos (embora mais baixos) que já nos deixam satisfeitos, sem precisar desembolsar um yen. É uma pena que depois da pandemia que sofremos talvez os preços das coisas tenham sofrido alteração demais. Lamento que talvez você não consiga se basear nos preços que ponho aqui, caso esteja lendo este texto com o propósito de ir pro Japão.

Observatório do World Trade Center - grátis.

Já o hotel onde fiquei tinha o quarto tão pequeno, que era menor do que a cabine interna de navio de cruzeiro. Nem desfiz a mala. Eu até tinha a impressão de o banheiro balançar um pouco. Tóquio é a metrópole mais populosa do mundo (imagina a população do Canadá toda numa só cidade. Então, é lá). Logo, os japoneses precisam economizar espaço em tudo, a ponto de até parecer que existe uma cidade subterrânea. Sim, aconteceu comigo de descer uma escada em uma praça de alimentação pra ir ao banheiro e parecia que eu estava andando quarteirões e mais quarteirões debaixo da terra. Talvez você encontre até subsolos de dois andares. Sim, dois pisos abaixo do nível da rua, e, às vezes, bem compridos. Outra coisa curiosa é que há uma preocupação já internalizada com o fluxo e com o movimento das pessoas por qualquer espaço. Há muita sinalização indicando onde você pode ou não ficar e, dependendo do evento, há até pessoas para direcionarem as outras a não interditarem o caminho dos outros. Não fui a nenhuma milonga (baile de tango) em Tóquio, porque as entradas de todos os lugares que achei passavam dos R$100,00, enquanto que em Buenos Aires, a gente paga R$8,00.

Templo Senso Ji, em Asakusa.

Parecia que a cidade toda tinha resolvido
rezar no Templo Senso Ji naquele dia.

No segundo dia, explorando Sumida um pouco mais, vimos uma padaria com uma fila meio grande e pensamos: “Se tem tanta gente, é porque é bom”. Observamos o que as pessoas estavam comprando e era um doce de batata doce incrível. A intenção depois desse café da manhã era comprar entrada do passeio de barco, da Tokyo Cruise, cujo preço esqueci, mas que dura 40 minutos e a estação é do lado do metrô Asakusa. Muita gente visita também o templo Sensoji, ali perto, grátis também e que estava bem tumultuado, mas vale a pena. Recomendo tomar um sorvete de chá verde (350 yenes, bem fácil de achar em qualquer lugar), sentar no fundo do barco, porque aí você tem a visão igual dos dois lados da margem do rio, não fica aquela sensação de estar privilegiando uma vista e ignorando o outro lado por completo. Se bem que os prédios que margeiam o Sumidagawa River são meio parecidos dos dois lados. O legal do passeio é que o barco passa por debaixo de várias pontes. Desci em Shiodome, já outro bairro, e visitei o observatório do World Trade Center, grátis. Desci e fui andando ao bairro de Ginza.

Uniqlo vista do terraço do Ginza Six.

A área de Ginza é onde estão as grande lojas de marcas, até fiquei imaginando se ali não seria um dos metros quadrados mais caros do mundo. De todo o planeta, a loja da Uniqlo que tem mais andares está lá, total de 12. Eu não conhecia Uniqlo e acabei me identificando muito com essa marca. É bem popular, preço ok, as peças são bonitas, simples e com ótimo caimento. Comprei uma cueca e uma camiseta. Mas mesmo que você não goste de ficar olhando vitrine, visitar Ginza vale muito, principalmente no domingo, quando a Avenida Chuo Dori está fechada e vários artistas tomam a rua, mais ou menos o que acontece na Av. Paulista, em São Paulo. Suba no observatório do shopping Ginza Six, que lá você tem uma visão 360 graus da região. Interessante mesmo que seja só de uns oito andares mais ou menos. Quanto às lojas, a área de Harajuku é mais interessante porque é cheia de brechós. Eu mesmo que não sou muito ligado em roupas, acabei comprando duas camisetas e um shorts num dos brechós.

Parece que a cidade toda também gosta 
de comprar em Harajuku.

E como se deslocar? A pé, é fácil, você só terá de pensar se vale a pena com relação à distância que for percorrer mesmo. Mas fique atento aos ônibus gratuitos (free shuttle bus). Ele é um ônibus comum, não se destaca muito entre os outros, mas as paradas estão sinalizadas com uma placa vermelha. Eu demorei a descobrir isso, então só peguei um, que passa perto da Tokyo Station, mas existem outros três (em Marunouchi, em Nihonbashi e am Tokyo waterfront subcenter), mas repesquise a respeito, pois pode haver novidades a respeito dessas linhas. Sobre o transporte público regular, recomendo que você compre um cartão Pasmo ou Suica numa das máquinas das estações. Eles servem pros ônibus também e pra muitos tipos de transporte até em outras cidades japonesas, não somente Tóquio. Com eles, a tarifa fica mais barata, sem contar que você não precisa ficar avisando à pessoa do caixa sobre o local onde você vai descer, já que a tarifa lá varia de acordo com o tamanho do seu deslocamento. Quanto mais longe do seu embarque a estação for, mais cara a passagem vai ficando. Suponhamos que você não tenha o cartão e, no meio do caminho, resolva descer num lugar diferente? Aí, na hora de sair, terá de ir à bilheteria de novo e explicar que você comprou o bilhete pra descer num determinado lugar, só que resolveu descer em outro. Se você for fluente em japonês, até acho que isso não seja um grande problema. Só que, no Japão, você encontrará pouca gente pra falar inglês com você. Agora imagine tendo de se virar pra explicar uma situação dessa por meio de gestos. Em suma: compra esse cartão, que a passagem até fica um pouco mais barata. Outra vantagem: ele serve pra você fazer compras também. Tem muitas lojas com o selo Suica ou Pasmo no caixa. Isso significa que ali ele vai funcionar como um cartão de débito mesmo. Os japoneses são fera na praticidade. Então, encha esse seu cartão com créditos, sem medo, e use no metrô, no ônibus, no supermercado... E se chegar a hora de deixar o país e ele estiver cheio ainda, vá à bilheteria de alguma estação, devolva-o e pegue seu dinheiro de volta. Mas atenção: ao devolver, 220 yenes (R$8,00 na época em que fui) ficam retidos. Então, o melhor é conseguir usar tudo mesmo e trazer o cartão vazio de lembrança. Ficou pasmo com tanta novidade? Eu também.

Criatividade japonesa na moda.

O bairro de Akihabara é a capital mundial dos eletrônicos dos mais diversos tipos. Animes, vídeo games, mangas, são coisas muito fortes na cultura japonesa, então é um bairro muito interessante de se conhecer também. Foi lá que eu realmente entendi o quanto os jogos eletrônicos e os mangás são algo tão importante na cultura deles. Eu joguei Street Fighter num Super Nintendo de graça no meio da rua! E perdi pra uma criança de uns dez anos, acho. 

Cosplays de Mario Kart cruzam por você 
todo o tempo.

Falando em mangá, é comum você ter a sensação de que está dentro de um às vezes. Dá pra ver a turma do Mário Kart passando por você quando for atravessar a rua, e várias atendentes de loja que parecem ser irmãs da Sailor Moon. Uma curiosidade que percebi lá é que as mulheres acham sensual andar com os pés virados pra dentro. O que, pra mim, é uma falta de consciência corporal na pisada, para elas é uma arma de sedução, muitas se forçam a ter a pisada pra dentro, então verá muitas japonesas andando com os joelhos levemente apontando um pro outro.

As comidas das vitrines são réplicas não comestíveis
do prato que o estabelecimento serve.

Chegou a hora de dizer “sayonará”? Então, preste atenção aos procedimentos aeroporturários. Eles são mais rigorosos com o peso da mala e o número de volumes que você carrega. Então vai ser mais difícil sua mala de mão passar meio desapercebida se for grande. Se eles desconfiarem, vão pesar mesmo. E na bagagem despachada não pode ter nenhuma bateria. Minha amiga foi chamada no alto-falante por conta disso. Teve de abrir a mala e retirar a bateria. Para ir pro aeroporto, compensa mais o metrô mais lento, porque, a partir da estação Shimbashi, por exemplo, ele leva 80min em vez de 50min (comparado ao trem expresso), mas custa a metade do preço e te deixa dentro do aeroporto de Odaiba também. Por uma diferença de tempo de só meia hora, acho que vale a pena a economia. Entre um terminal e outro dá até pra ir a pé mesmo. Vale lembrar de que o Japão está na lista dos países mais caros que já visitei. Pelo menos a água da torneira lá é saudável, então esse será um gasto a menos. Se você chegou até o final do texto, Arigatô (outra palavra que aprendi a falar em japonês).

West Exhibition Hall, em Odaiba.