sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Ao fundo, Casa da Ópera de Sydney - Austrália.

A dois textos atrás, eu contei como foi o "perrengue de ryco" que eu passei quando fiquei "preso" num navio de cruzeiros impedido de atracar nos portos da Oceania em virtude da epidemia do courona váirus. Então agora eu contarei o que aconteceu ANTES de eu embarcar, e como fevereiro ainda era um mês maravilhoso, sem preocupações:

https://prefiroviajar.com.br/mundo/o-que-fazer-em-sydney-pontos-turisticos

O link acima conta tudo o que fiz em Sydney, cidade que não é capital Austrália. O texto está no blogue de Amanda Antunes, pois eu admiro o trabalho dela e, como ela tem mais leitores do que eu, eu queria que mais pessoas pudessem me ler. Então clica no link acima, se você também PREFERE VIAJAR.


Catedral de Santa Maria e fonte no Hyde Park.

Esperando a queima de fogos de sábado à noite.





Fazendo feira.





quarta-feira, 29 de julho de 2020

Eu, Carla, Bruno e Jéssica na Feira da Sapatilha.

Julho é mês de Festival de Dança de Joinville. Quem trabalha com dança sempre vai se lembrar deste evento quando chega este mês. Só que o courona váirus fez com que quase todos os eventos de 2020 fossem cancelados. Da terceira e última vez que estive a Joinville pude conhecê-la melhor, e também outras cidades de suas redondezas. O artigo eu não publiquei aqui, mas num site com quem eu tinha parceria, chamado "Ao Sabor do Vento":


No Forrobodó com a deputada Jéssica Michels.

Quando penso em Julho e penso em viagem, não consigo não pensar em Joinville, porque também envolve Dança, outro amor que tenho.

O texto é de 2018, mas quase tudo ainda é bem atual. Boa leitura!



terça-feira, 30 de junho de 2020

Sol Nascente

"Todos sabem no Brasil que o idioma é português,
assim como lá na França todos falam o francês.
Por isso, na Paraíba, falamos PARAIBÊS.(...)
É assim mesmo que se fala na Paraíba da gente.
E, se quiser aprender, mostre que é CABRA QUENTE,
mostrando admiração. Comece dizendo: 'OXENTE!'"
Estrofe inicial e estrofe final do Dicionário Paraibês, de Vicente Campos Filho.

Fiquei um tempão esperando esse estrangeiro, porque ele não queria
que ninguém aparecesse na foto dele.

Aí eu tive ideia de tirar a foto do outro lado, que 
nunca tem ninguém.

Nas férias de janeiro de 2019, voltei a Recife, oito anos depois. Eu sei que Recife não é na Paraíba, mas, como eu achei o Dicionário Paraibês um livrinho muito legal e este texto também falará sobre João Pessoa, comecei este relato com versos paraibanos. Quando fui ao Nordeste em janeiro de 2011, fiz um texto sobre todas as cidades que aqui são mencionadas. É só procurar no índice do lado direito. que tem mais informação.
Bairro de Boa Viagem visto da cobertura do Hotel OndaMar.

Esta viagem também foi um pouco mais nutella. Aconteceu por meio de um pacote de CVC: voos já fretados por eles mesmo, hotel Ondamar também já reservado, um dia de citytour já programado. Nada daquela coisa de 2011 de percorrer cinco estados brasileiros de carro, escolhendo a hospedagem só quando chegasse no lugar, tudo sem whatsapp. A única pesquisa que precisei fazer agora foi sobre que passeios turísticos fazer, já que o pacote de uma semana incluía só um citytour por Olinda, então eu precisava me ocupar nos dias seguintes.

Centro histórico de Olinda.

Lojinha de artesanato para maiores de 18 anos, em Olinda.


O hotel onde fiquei é na Praia de Boa Viagem, uma área ótima a qualquer hora. Peguei praia no primeiro dia, caminhei pela orla, passando pelo Parque Dona Lindu, que é tipo o Ibirapuera deles, mas menor e com uma praia na frente - tem teatro, parquinhos, área grande pra se usar bicicleta ou patins. À noite, perto da Igreja de Nossa Senhora de Boa Viagem, tem feira, com bastante variedade de comida e barracas de lembrancinhas.
Estacas de ferro pra não deixar a árvore cair,
em frente ao Paço do Frevo, em Recife.
Uma das lojas de usados perto do mercado público, no centro.


No dia seguinte, fui ao Centro histórico. Embora fosse uma região onde iria com guia no dia seguinte, quis percorrê-lo no meu tempo e no meu ritmo, sem a preocupação com os horários e com outras pessoas, como é típico das excursões. Na praça do Marco Zero, o que se vê é o letreiro com o nome da cidade, algumas esculturas ao ar livre do Francisco Brennand, o Centro de Artesanatos de Pernambuco, o Centro Cultural da Caixa Econômica Federal. Ali perto tem também alguns museus pagos e o Mercado Público, lugar bom pra se comprar presentes. A Rua Bom Jesus também é bonita e tem a sinagoga mais antiga das Américas. Um dia foi preenchido assim, conhecendo parte do centro histórico de Recife e ficando decepcionado como tem muitos casarões bem abandonados:
              


Mas também há monumentos...
...bem preservados. 
 
O city tour incluso no meu pacote da CVC foi executado pela Luck Receptivo, e era o essencial de Recife e Olinda. Daí, achei mais prático combinar outros passeios com eles, até porque o preço estava melhor do que com outra empresa que eu tinha pesquisado. O primeiro deles foi pra terceira cidade mais antiga do país, que também é a capital paraibana.
Ponta dos Seixas, marco mais oriental
do continente americano.

Feira de Artesanatos na Praia do Jacaré.

Em João Pessoa, o ônibus da Luck passa rapidamente pelo centro histórico, fazendo rápidas paradas. Depois, passamos no lugar onde o sol nasce primeiro. Se você olhar o mapa do Brasil observe que o ponto mais à direita, entrando mais no Oceano Atlântico, fica lá em João Pessoa. Chama-se Ponta dos Seixas. Então a gente passeia naquele pontinho ali do mapa, pra, quem sabe, ver se a gente enxerga até  a África. Mas o clímax desse passeio é na Praia do Jacaré, no famoso espetáculo do saxofonista tocando o Bolero de Ravel durante o pôr-do-sol. Chegando lá, da praia mesmo é possível assistir à performance do saxofonista. Fica cheio de gente, mas dá pra achar um cantinho. Talvez tentem te convencer a comprar um lugar num barco, dizendo que a vista da praia é ruim, mas não precisa. Pode ver que eu consegui tirar fotos ótimas, da praia mesmo:
 

Bandeira de Pernambuco na
praia de Porto de Galinhas.
Porto de Galinhas é um lugar que ficou aquém das minhas expectativas em 2011 e, oito anos depois, continuou sendo uma decepção. Pra se chegar lá, em vez de pegar uma excursão, arrisquei outro esquema - de ir até o aeroporto e pegar um táxi credenciado. Nesse caso, o taxímetro não corre normal, a gente negocia o valor com o taxista. Dividi com mais duas pessoas e não me lembro quanto pagamos, mas acabou dando um valor próximo ao da excursão da Luck. Hoje penso que teria sido melhor ter fechado uma excursão mesmo, mas, se fizer o mesmo que eu, pegue um carro oficial, pela sua segurança. Talvez o que me incomoda em Porto é o excesso de gente. Acho que os corais e a praia seriam lindas se tivesse só 10% dos turistas que sempre estão lá. Dica: olhe o calendário de marés. Talvez dê pra ir andando até os corais, sem precisar pagar a jangada, que não é barata.

Não tem nenhum galinha nas praias, elas aparecem só nos artesanatos. Mas o local tem esse nome porque ali já foi um porto de desembarque clandestino de escravos, que chegavam em navios de cargas de galinha d'angola. Os senhores sabiam da chegada dos escravos ao receber a seguinte mensagem dos comerciantes: "tem galinha nova no porto". 









 

Há uma versão histórica que considera Cabo de Santo Agostinho como o verdadeiro ponto de descoberta do Brasil. Antes de Pedro Álvares Cabral chegar à Bahia, o espanhol Vicente Pinzón teria atracado na bahia de Suape, em janeiro de 1500. De todos os passeios que fiz, achei este o que tem as praias mais bonitas. É o mais caro, mas o mais interessante. Além de tempo livre pra se curtir as praias, teve passeio de buggy e passeio de catamarã, onde chegamos bem perto de um importante porto.
Gente local se divertindo.

Pro último dia, a tão conhecida Praia dos Carneiros, aquela da igreja verde. Tivemos um tempo livre e depois fizemos um passeio de catamarã até a Praia de Guadalupe, onde tomamos banho de argila perto das falésias. Também não vi nenhum carneiro o dia todo, só que a origem deste nome eu não sei, pra contar pra vocês. Se souber, deixa nos comentários.


Capela de São Benedito, do século XVIII.


Banho de lama. "É você, Satanás?"

DISTÂNCIAS DO MARCO ZERO DE RECIFE:

João pessoa – 120km / Maragogi 130 km / Maceió 260 km / Porto de Galinhas 60km / Caruaru 160 km / Praia de Carneiros 100 km / Praia de Boa Viagem 13km / Praia de Maria Farinha 30 km / Cabo de Santo Agostinho 33km

Preço dos Passeios com a empresa Luck Receptivo (por pessoa e em janeiro de 2019):

Praias do Cabo Santo Agostinho, com catamarã e buggy - R$188,00

Praia dos Carneiros - R$98,00

João Pessoa - R$98,00

Este é um monumento dedicado às vítimas de acidentes de trânsito.
Passei por ele várias vezes. Conscientiza e choca.


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Deus Nos Acuda


"Há momentos que parece que perdemos o controle de tudo. Nesse momento é que descobrimos que, na verdade, nunca tivemos o controle de nada."
Valdir Aquino Lubas, pastor.


Norwegian Jewel e eu, um dia antes do embarque.

Em 28 de fevereiro de 2020, um navio da Norwegian Cruise Lines (NCL) deixou a Austrália, com cerca de 2000 pessoas para navegar pelo Oceano Pacífico até o dia 20 de março, quando deveria finalizar viagem no Tahiti. Claro que, como todo navio de cruzeiro, ele já estava de viagem antes e continuaria sua viagem depois, mas era esse o trajeto que eu faria, a trabalho, como personal dancer. Antes mesmo de eu embarcar nele, em Sydney, a NCL já mandava e-mails oferecendo a possibilidade de reembolso a quem quisesse, já que quase todo o mundo comentava sobre o novo coronavírus. Só que a situação no meio de fevereiro, era muito duvidosa, pelo menos pra mim. Tanto eu como outras pessoas, ao mesmo tempo que tínhamos medo de viajar, também não tínhamos. Só que, com passagens de avião compradas há muito tempo, assim como reserva de hotéis, ninguém queria cancelar, e como o roteiro do navio passava longe do centro do furacão da pandemia (China) e como pandemia era uma coisa que, até então, só víamos no cinema, “ninguém” desistiu, tanto que havia hóspedes de várias nacionalidades a bordo, como é normal em todo navio de cruzeiro. No entanto, um detalhe que só depois, na minha opinião, poderíamos ter visto como alerta: o itinerário do navio já havia mudado duas vezes antes do embarque, com a diminuição de, acho, quatro portos.

Festa noturna na piscina

Tudo ocorria tão bem quanto em outros dois navios que eu já tinha viajado até que, na quinta, dia 12 de março, um aviso sonoro toca no navio inteiro e o capitão, Kenneth, anuncia que a Polinésia Francesa tinha fechado os portos a todos os navios de cruzeiro e que seríamos impedidos de entrar; que retornaríamos às Ilhas Fiji e que lá desembarcaríamos. Só que, no dia seguinte, que não era dia 13, mas dia 14 (sim, a novidade foi contada no dia 12 e, um dia depois, já era dia 14; depois explico). No dia seguinte, já avisaram que iríamos pra Auckland, na Nova Zelândia, e que precisaríamos providenciar passagens aéreas a partir de lá. Acredito eu que consideraram um ponto estratégico melhor, já que havia neozelandeses a bordo e o aeroporto de lá tem muito mais conexões pra aeroportos grandes do que o aeroporto da capital das Ilhas Fiji.  Liberaram internet gratuita a todos os hóspedes, pra providenciarmos passagens. O acesso era em notebooks do próprio navio. Só que, pra mais de mil hóspedes desesperados, as filas pra esses computadores eram de mais ou menos cinco horas, sem exagero. E pra uma internet meio lenta, já que a quantidade de pessoas usando era inesperada pro sistema.  Depois que um monte de gente já tinha sua passagem comprada... Surpresa! Nova Zelândia também decidiu fechar os portos. Daí o navio nos liberou também a internet a partir do celular (só uma hora) pra tentarmos cancelar, usando a política de cancelamento de 24 horas, aplicável, acho eu, a quase as companhias aéreas.

Teatro com capacidade pra mais de mil pessoas.
Impedidos também de regressar à Austrália, de onde tínhamos partido, o Norwegian Jewel negociou com as Ilhas Fij, que aceitaram nos receber, mas recusaram em seguida, depois quevários hóspedes tinham novamente comprado passagens aéreas de volta para casa, partindo de Fij. E qual foi minha reação diante de mais uma recusa? Nenhuma. Continuei fazendo no mínimo cinco abastadas refeições ao dia, comendo o máximo que coubesse dentro de mim, indo na piscina, na sauna, na academia, teatro, brincadeiras da equipe de animação, como se epidemia continuasse sendo uma coisa só de cinema. Eu estava numa bolha de 295m de comprimento por 33 de largura, a 40km/h, rodeada por uma paleta de não sei quantos tons de azul do Oceano Índico, cheio de atividades de entretenimento e pratos cujos nomes eu nem sei pronunciar direito. Você acha que eu ia me preocupar com koronaváyrus? Se nem quando eu estou no Brasil, à toa, eu me interesso pelo que os noticiários dizem, imaginem quando eu estou num cruzeiro pela Oceania.  

A cor do mar podia ser assim,
ou assim, 
ou assim, quando o esgoto
era jogado no mar.
Não se preocupe com a foto acima. Jogar esgoto no mar é uma atividade permitida por lei. O material é descartado lentamente e após ser tratado. A parte de resíduos que pode ser prejudicial ao meio ambiente é armazenada e aí, sim, descartada somente em terra. Depois de ter seu desembarque recusado por quatro países, A NCL (Norwegian Cruise Lines) passou a dialogar e redialogar os portos, e a Samoa Americana aceitou receber o navio, mas somente para abastecimento de alimentos, bebidas e demais suprimentos. Agora, imagine você em SA-MO-A e não poder nem pisar numa prainha... Teve até carro de polícia na porta do navio pra garantir que ninguém ia descer mesmo. Diante dos fatos, iniciou-se um período de incertezas e mais medo nos que estavam a bordo e até o SBT e a Globo começaram a falar da gente, no SBT Brasil, Fantástico e Bom Dia Brasil, respectivamente. Não sei como ninguém infartou a bordo. Acesse a matéria pra ver alguns dos 42 brasileiros a bordo e, se tiver tempo, por favor, leia os comentários. https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/03/18/brasileiros-em-navio-rejeitado-por-4-paises-temem-nao-conseguir-voltar-para-casa.ghtml
Dava pra passar o tempo comendo, 
dobrando balões
ou rezando

Consulta de R$600,00.
Mas, se fosse fora do horário de atendimento
do médico, aí eram R$800,00.
Mais uma vez o sinal sonoro de aviso tocou, todos fizeram silêncio total já quase tendo um derrame e o capitão diz que a solução encontrada pela empresa foi finalizar a viagem no Havaí, e que chegaríamos a Honolulu em 22/3. Enviaram cartas pras nossas cabines, pedindo que comprássemos voo de volta pra casa. Quem não conseguisse, era só pedir ajuda no serviço de atendimento. Também pediram que, se alguém tivesse alguma dificuldade médica, como remédios controlados que estivessem acabando, que relatasse à equipe médica. Só que eles queriam que as pessoas pagassem pela consulta - olha o preço aí do lado.


Na internet, vi notícias apenas americanas de que não desembarcaríamos em Honolulu, mas que pararíamos lá só pra abastecer e pegar alimentos.  Isso me dava ainda mais incerteza, só que, como a solução pra essa situação não dependia de mim, a única coisa que me restava era continuar comendo e me divertindo, principalmente com as fofocas. Começaram a surgir rumores de que talvez pararíamos na Califórnia e que havia uma estrutura médica sendo construída no porto pra receber a gente; outra possibilidade era "vá pra cuba!", mas as pessoas também diziam que o Canal do Panamá estava fechado. No fim, a gente acabou descendo no Havaí mesmo e distribuídos em voos fretados que saíram de Honolulu pra algum canto do mundo, de acordo com o endereço da pessoa. Pros sulamericanos, a Norwegian fretou apenas até Los Angeles, aeroporto que tem a chegada e saída mais linda que eu já vi até hoje. De lá, cada um pagou o seu. Por sorte, a essa altura as empresas já estavam praticando preços mais baratos que o normal. Então, mesmo comprando em cima da hora, Los Angeles – Guarulhos custou $276,00 pela Delta, algo em torno de R$1.500,00. Viu como no fim tudo terminou bem e não precisava de eu ter ficado sofrendo com o futuro, e gastar horas na fila da internet tentando resolver um problema que não estava a meu alcance? Aliás, nada na vida está sob o nosso controle absoluto e eu tinha coisas muito mais interessantes para pensar como, por exemplo, animaizinhos feitos com a toalha de banho!!! Aaaai, que fofo!!!

O camareiro Rodrigo preparava essa surpresa
pra quando a gente chegava na cabine à noite.














Outro problema com que tivemos de lidar: muitos passageiros não tinham visto norte-americano, o que demandou soluções burocráticas entre a NCL e autoridades dos Estados Unidos. Um dia depois de chegarmos ao Havaí, todos passaram pelo serviço de imigração americana e eu ganhei um "visto de trajeto", ou seja, uma entrada apenas. Só lamentei eu não ser rico nessa hora, porque o visto tinha validade até setembro de 2019. Doeu eu ter conseguido um visto americano, que é algo difícil e caro, e não poder aproveitar e ficar lá nos EUA por uns seis meses à toa. Se eu fosse rico, ninguém me segurava.


Desde quando nosso rolê sem rumo pelo Pacífico começou, eu contei pra família o que estava acontecendo e eles fizeram contatos com autoridades brasileiras que passaram a acompanhar o caso do Norwegian Jewel, só que, logicamente, existiam outros brasileiros em maior vulnerabilidade, estando em prioridade de atendimento, então a gente tinha de se virar por conta mesmo. Como eu estava a trabalho fiquei menos preocupado também. A bordo, nunca faltou comida nem bebida. Só precisávamos aguardar quando e onde poderíamos desembarcar. Apesar de todos os contratempos e os sentimentos ruins que as notícias externas nos traziam, fui bem feliz no período que estive a bordo, afinal estávamos sadios e sem qualquer pessoa no barco contaminada pelo koronaváyrus.
Bolo do dia de São Patrício
Bolo do jantar havaiano











Em 24 março, os dois primeiros grupos de pessoas a desembarcar da "Joia Norueguesa" já desembarcaram atrasados, por motivos relacionados a procedimentos do aeroporto havaiano. Todos saíam escoltados pela polícia. O check in e inspeção de segurança eram na pista, nenhum passageiro tinha acesso às facilidades do aeroporto, nem mesmo banheiro. O acordo com as autoridades locais foi sairmos do barco direto pra dentro do avião. Não tinha máquina de raio X, então funcionários de luvas abriam (na nossa frente) cada compartimento das nossas bagagens de mão. Depois as pessoas entravam no ônibus de novo e só aí entravam no avião. O terceiro grupo a sair do navio (o meu) foi só no dia seguinte, às 4h da manhã, para voar às 7h pra Los Angeles, previsão de chegada pras 15h. Só que era pra gente ter saído no dia anterior também, então muita gente já tinha comprado passagem pro Brasil e acabou perdendo, e nem todo mundo conseguiu cancelar ou remarcar a tempo. Consegui remarcar o meu pra quinta, dia 26, meio dia, pagando 14 dólares a mais.
Como pensar em problema com esse pôr do sol...
O divertido disso tudo foi que, no dia 12, tínhamos cruzado a linha internacional de data em direção a Polinésia; fazendo o caminho de volta, pra Nova Zelândia, a cruzamos no sentido contrário; e quando decidiu que iríamos pro Havaí a cruzamos novamente. Então, tivemos dois dias 12 de março, nenhuma sexta-feira 13 de março (o que não nos impediu de termos azar nessa viagem) e dois dias 16 de março. E eu sei que você ficou confuso mesmo que tenha voltado pra ler de novo. Olha, mesmo que você vivencie a situação de cruzar essa linha, você continuará meio que sem entender direito. Então reserve pelo menos uma hora pra ver alguém no youtube explicando sobre ela, porque é muito difícil fazer isso sem desenhar. E acesse https://www.instagram.com/rodanomundo/?igshid=1sc4g4cug73dj pra ver fotos desta e outras viagens.

... ou com esta lua cheia?

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Liberdade, Liberdade


"Como diz em Minas Gerais: 'a política brasileira precisa melhorar um pouco, uai'." 
Gil Nunes

Centro histórico de São João visto do Museu Regional

Falar de São João del Rey é falar de política e resistência. Guerra das Emboabas e Inconfidência Mineira são fatos de Minas Gerais que aconteceram justamente por ali. Então, para se conhecer um pouco mais a história de Minas, um fim de semana em São João Del Rei é muito importante. A cidade é repleta de museus, que nos ajudam a compreender um pouco da política nacional, desde o ciclo do ouro, até nossa história contemporânea, pós ditadura. Há museus de diversos tipos, e com diferentes recortes cronológicos: o Museu Regional de São João Del Rey conta um pouco sobre a religiosidade e costumes da época do Ciclo do Ouro (século XVIII); o da FEB (Força Expedicionária Brasileira) é sobre o período das duas grandes guerras; e o Museu Tancredo Neves (R$2,00), que nos situa nos últimos anos da ditadura e primeiros anos da nova democracia, ao falar do presidente eleito em 1985 e que morreu antes de tomar posse.

Museu Regional de São João del Rei
A Inconfidência Mineira foi um movimento social brasileiro contra o domínio português. Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) foi o líder da revolta. Devido a altas taxas de impostos que se devia pagar à Coroa Portuguesa e outros abusos políticos, os inconfidentes agiam contra a opressão do governo português, mas, logicamente, visando interesses pessoais também (eu, particularmente, acho que qualquer ser humano faz isso), mas não falarei mais sobre isso e deixarei pra você ter sua aula de história in loco. São poucas as  pessoas que têm opiniões controversas sobre Tiradentes e que acham que ele agiu visando apenas interesse particular. O Museu Regional é um prédio histórico que só está de pé porque o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) iniciou o processo de tombamento antes que os proprietários levassem a cabo a ideia de demoli-lo para construir um prédio moderno de 12 andares e uma rodoviária ao lado. Só que, quando eu visitei, vi que o prédio é quase todo reconstruído mesmo. Acho até falso falar que é uma casa antiga. Pra mim, é uma casa contemporânea, com fundação antiga, e que imita o visual de uma casa que havia ali. O próprio passar do tempo foi derrubando muita coisa do prédio e não faz muito que foi revitalizado. Seu acervo é composto de imagens sacras, pinturas, mobiliário, meios de transporte, ferramentas de trabalho e outros objetos testemunhas da vida mineira nos séculos XVIII e XIX. O Museu está fechado agora devido a obras e só deve reabrir no segundo semestre do ano. O horário de funcionamento era de terça a sexta das 9h às 18h, e das 9h às 16h aos sábados e domingos.


Catedral Basílica
Quase o mesmo posso dizer do Centro Cultural da Universidade Federal de São João Del Rey (UFSJ), um local de exposições temporárias com temas de interesse da comunidade local. É uma parada para dez minutos ou menos depois de visitar as igrejas da redondeza ou o Museu do Cardeal Dom Lucas Moreira Neves (familiar esse sobrenome? Sim, era primo de terceiro grau de Tancredo Neves). Dom Lucas, na verdade, não se chamava Dom Lucas, assim como Papa Francisco não se chama Francisco. Quando ficam mais famosos e importantes, os padres também adotam um nome “artístico”. O Museu possui objetos pessoais e vestimentas que ele usava em celebrações. Foi muito influente na igreja católica e chegou até a ser amigo pessoal do Papa João Paulo II. A visita é acompanhada pelo recepcionista local, que me ajudou a entender vários termos católicos que até então eram bem confusos pra mim. Na frente está a Igreja Nossa Senhora do Pilar, ou simplesmente, a Catedral.

Rua Direita
Quase tudo o que expliquei no parágrafo anterior e neste é o que você visita em apenas uma rua, a Getúlio Vargas – ou Rua Direita. Nas cidades históricas de Minas Gerais, sempre há uma rua Direita, localizada à direita da igreja principal, mas São João não segue essa regra. Numa das pontas da rua está a Igreja Nossa Senhora do Carmo, uma das mais bonitas, que possui ao lado um cemitério de mesmo nome que é um dos poucos do Brasil que é coberto. O Museu de Arte Sacra é o mais caro da cidade, R$15,00, mas a maioria é gratuito. Então, com uma caminhada de poucos metros, já se conhece as principais edificações católicas da cidade. Chamo a atenção que algumas igrejas têm apenas a porta lateral aberta, então, quando for visitá-las e vir a porta frontal fechada, não volte. Dê uma olhada na lateral. Ao fim da rua, à direita da Igreja Nossa Senhora do Rosário, começa a Rua das Casas Tortas. Tem-se a impressão de que a parede frontal das casas (só duas na verdade) está desabando. 

Casa Torta de verdade mesmo tem em Bichinho, pertinho de Tiradentes.
Falando ainda em Rua Direita, minha recomendação gastronômica é o pão de ricota com uva passas da Padaria do Carmo, que é simples e barata, mas justamente esse ar de simplicidade de tudo é que deu a ela o ar interessante que tem. Se tiver tomado café no hotel, visite-a no café da tarde. Achei curioso o pote de manteiga ficar disponível em cima da mesa pra você passar à vontade no pão quentinho que acabou de comprar. Se prefere algo mais sofisticado, caro e com wi-fi, a Taberna do Omar é ao lado e seu pão de chocolate é maravilhoso.

Uma das pontes que passa sobre o córrego do Centro histórico.

Continuamos no centro histórico, mas agora do outro lado do córrego do Lenheiro, “filete” de água que corta a cidade. Na Praça Frei Orlando estão a Igreja de São Francisco; um dos campus da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei,); e a Secretaria de Cultura, que é também museu de objetos antigos, como ferramentas e utensílios domésticos. No piso de baixo, lojas de artesanato com preços em conta. Ali perto, por R$4,00 temos um pouco de história contemporânea também, contada no Memorial Tancredo Neves. Por último, na antiga estação ferroviária de São João, o Museu Ferroviário possui vagões antigos e outras peças que fizeram a história da estação. Todos esses locais que cito são tão próximos uns dos outros, que é fácil encontrar alguém na rua que te explique onde ficam. Nem precisa muito de mapa.

O Mercado Municipal de SJDR é algo sobre o qual é bom não criar grande expectativa. Qualquer feira de rua de qualquer cidade tem mais coisas que ali. São apenas dois corredores de lojas/barracas que vendem o comum da culinária mineira. Queijos e doces são os itens mais presentes. Na hora do almoço, o sabor mineiro se realça mesmo é em Tiradentes e Bichinho, que ficam "do lado", bem perto mesmo de São João, onde os restaurantes parecem ser as antigas casas dos moradores e que estes adaptaram o local para servir. Muitos têm sua horta no quintal do fundo, então parece mesmo que se está comendo uma refeição preparada especialmente pra você, como se sua mãe ou vó estivesse fazendo. Outros já são mais curiosos, como a Casa Torta, no vilarejo de Bichinho, que já pertenceu a Tiradentes, mas que hoje é distrito de Prado. Quem visita Minas tem uma opinião unânime sobre a culinária: a singularidade do sabor, mesmo nas coisas mais simples.


Velozes e Furiosos.
 A parte de turismo de aventura de São João fica por conta da Pousada Kart Club, onde se pode dar dez voltas de kart por R$25,00 na pista privada deles. Se preferir uma Estrada Real (entendeu o trocadilho?) continue a 10 km dali, em direção a Tiradentes. Quando estiver na estrada que liga as duas cidades e avistar um pilar bem alto de ferro, pare. Ali é o Marco Zero da Estrada Real, onde está a Cachoeira de Bom Despacho e onde começa a Trilha de São José, possível de se chegar a Tiradentes também, e com outra cachoeira no caminho. 
Após a trilha, a segunda parte da aventura ao chegar a Tiradentes é com Hlera Off Road, empresa que aluga quadriciclos para subir e descer os vários morros que ligam ao distrito de Bichinho, às vezes passando por atoleiros. O quadriciclo é fácil de se pilotar, mas também desafiador e emocionante, devido à irregularidade da trilha. Precisa ter habilitação de carro ou de moto para guiar. Se não tem, é só ir na garupa. Há um breve treinamento antes e o guia acompanha os pilotos durante todo o trajeto. E ele mesmo recomenda que é melhor ir de roupa velha e de chinelo para ficar mais fácil de se limpar depois.No caminho ainda você conhece uma nascente de água e pode ser que você passe por algumas árvores de frutas.

Cachoeira de Bom Despacho
Pra conhecer Tiradentes sem carro próprio, tem vários horários de ônibus que saem da rodoviária de São João e é só de lá que há ônibus para Tiradentes, cidade onde o inconfidente Tiradentes NÃO nasceu (há muitas teses, mas a mais provável é a de que ele tenha nascido em São João). Não existe nenhum outro lugar do país que te leve de ônibus até Tiradentes. Sim, curioso isso, não? Você TEM DE ir a São João antes de chegar a Tiradentes (se estiver de ônibus). Mas se você quer ter um pouco mais a sensação de viagem no tempo, não escolha nem carro nem ônibus, mas o trem turístico (ou Maria Fumaça) que liga as duas cidades. Pode-se fazer isso de quinta a domingo e o preço da tarifa inteira ida e volta é de R$80,00. Sobre esse passeio, sim, as opiniões das pessoas costumam divergir e não são todos que gostam. Eu não experimentei, então essa parte eu deixo pra você dar o seu parecer. Isso tudo é porque Tiradentes tenta preservar seu ar de vilarejo calmo e simples, então faz o possível para que o turista tenha sossego e sensação de se estar no passado. A fiação elétrica é subterrânea, como a maioria das cidades históricas.

Tiradentes vista da Praça de São José
Quer liberdade maior do que fazer pole dance pelado na Praça de São José?

No adro da Matriz de Santo Antônio, há um relógio de sol, com marcações em duas faces. Uma pra mostrar as horas durante o inverno; outra durante o verão. Seja em que estação você for, sentirá bem acolhido, pois a qualidade da hospitalidade mineira é outra unanimidade.

Eu nunca tinha visto um Cristo nesta pose. - Matriz de Santo Antônio